Darling..

"Deixa o coração falar por si só''

Trust Me.

Há momentos em que por dentro só enxergo um caminho de decisões erradas, e eu? Eu estava ali assistindo, cada episódio sem reagir, sem se mexer, apenas.. assistindo. Quando você encontra um porto seguro, alguém pra compartilhar momentos, sentimentos, dificuldades, quando você abre mão do seu orgulho, e até de você mesma por alguém, você sente confiança. Confiança de que ela vá retribuir sua dedicação, seu amor.. Confiança de que ela vá lembrar da sua dor quando for tomar algum passo adiante, segurança de que você pode deitar no colo dela e chorar, dizer as coisas ocultas, as partes obscuras de você, as partes que te tornam fraco, as partes que te fazem olhar pra trás.. As partes do passado que você tanto teme. E o que você espera? Que ela fique ali, observando e te dando um chão.. O chão que você não encontra em ninguém, só nela. E depois? Você toma sua segurança novamente, você olha pra frente. Confiança é você dar um passo com os olhos vendados e saber que aquela pessoa vai está ali pra te ajudar a guiar, sem maldade, sem malícia, sem crueldade. Mas nem sempre confiamos nas pessoas capazes de possuírem tamanha responsabilidade, pessoas incapazes de  permanecerem ao seu lado independente de quem você é ou foi um dia, nem sempre confiamos nas pessoas que realmente se importam com nossos sentimentos, com nosso eu., E quando perdemos as pessoas que confiamos, ficamos sem chão, ficamos sem consolo, ficamos sem força, ficamos sem foco, ficamos apenas ali, observando os dias passarem, as noites em claro, dias e noites procurando alguma solução pra fazer as coisas mudarem, e pensando no verdadeiro significado da palavra “confiança”, esperando que alguém venha e te ensine o verdadeiro significado. Mas enquanto essa pessoa não se aproxima, lembre-se que tudo o que brilha demais, tudo o que chama atenção demais, vai embora com mais facilidade, como se fosse fogos de artifícios, bonitos porém temporários.  

caiofernandoabreu:

QUANDO Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.
(Caio Fernando Abreu. Sem Ana, blues, in: Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)

caiofernandoabreu:

QUANDO Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.

(Caio Fernando Abreu. Sem Ana, blues, in: Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)

The neves - Esquinas

Vou, como quem não tem nada a perder
Como um louco esbarrando nas esquinas
Vou girando sem parar
Sentindo a brisa nas mãos
Sorrindo sem motivo algum

Qual é o problema, amor?
não posso viver?
Não posso mais ser quem sou?
Que diferença faz?
Direitos não são iguais?
Então, por quê não me deixa em paz?

Sempre só brincando com as estrelas
Ouvindo meu coração bater sem você
Sempre só brincando com as estrelas
Ouvindo meu coração partir sem você

Qual é o problema, amor?
Não posso viver?
Não posso ser quem sou?

Fim = Início

Nessas horas que volto pra mim mesma. Girando em círculos, completando círculos. Saio de partida acompanhada da segurança e felicidade, tudo basta.. Me perco no meio. Bom.. Essa é a parte que mais me mantenho confusa, porém segura. Continuo caminhando, até que o caminho me dá indícios de que o final estaria chegando.. Evidencias são postas diante de mim. Mas insisto em não acreditar no que o destino tem me dado. Talvez eu acredite.. Mas talvez eu seja esperançosa demais. Penso que talvez o destino tenha algo bom pra mim e que talvez não precisaria passar pelo final, para conhecer o início. Mas é regra: tudo tem um final. Isso poderia ser menos agonizante. Todas essas etapas me enchem de dúvidas.. Bom.. Dito e feito. O final. Vem aí o início do círculo… 

Permita-se

Permita-se amar novamente. Permita-se ter fé. Permita-se sorrir. Permita-se ter prazer. Permita-se aprender. Permita-se sofrer. Permita-se ser especial. Permita-se ter sorte. Permita-se não se arrepender. Permita-se sonhar. Permita-se ser real. Permita-se ser feliz.

O galho…

As flores do campo já passaram por mim, eu não tive tempo de pegar uma se quer, espinhos ardentes machucaram meus pés, eu fiquei doente com uma folha qualquer, meu espírito se foi, minha carne queima desse sol, minha alma se perdeu nesta selva de girassóis, conte conte estrela, conte uma história sem fim, e deixe que a lua se despessa por mim. No alto daquele galho tem um passarinho sorrindo pra mim e eu não sei porque esse galho insiste em tocar em mim, bato minha cabeça nesse pascoalhim que vai comigo até desaparecer..

No fim ou no “quase” fim..

Sim, certas coisas devem ir embora.. Certas coisas que te faziam sorrir, sentir e amar.  No final é sempre assim, o que resta é você e sua infinita capacidade de pensar no que deu errado. Porque me tornei tão vulnerável a toda esta história? No fim ou no “quase” fim, devemos recuperar as forças perdidas, por mais que tenhamos inúmeros motivos para nos questionar, lamentar e se render, devemos relembrar dos nossos sonhos, e que se nós não tivessemos tentado  e arriscado, nós não saberiamos qual o caminho a seguir..  E muito menos aonde o nosso prêmio final se encontra… Porque é assim, a vida e seus “finais” me mostram o que é verdadeiro e o que simplismente não passa  de uma boa farça. E acredite, o mundo está cheio de pessoas incapazes de amar e serem amadas.. E lembre-se sempre.. Acreditar no melhor das pessoas não vai realmente tornar elas o melhor pra você.

Não sentia mais dor..

Não sentia mais dor. O vento batia no quarto com grande intensidade,  levava as cortinas para longe,  o frio simplesmente preenchia o quarto.. Ela sentia seus pés ficarem congelados e cada vez mais se encolhia para não se sentir frágil. Se perguntava naquele momento, onde estaria aquele que lhe trouxe cor  em meio a escuridão.  Aonde estaria aquele que lhe tirava o sono. Aquele que lhe fazia se sentir acolhida por seu olhar de desejo, de amor. Aquele que fazia seu coração acelerar e lhe trazia um sorriso inesperado e bobo.  De acordo com a intensidade que o vento entrava em seu quarto,  e de acordo com que a intensidade de que o frio dominava aquele escuridão, seu medo de amar novamente tomava conta..  Mas dessa vez não seria do quarto, mas do coração. Talvez não seria ele que sentisse a mesma coisa com essa ventania toda? Lembro-me daquelas palavras que me trouxeram o terror,  as palavras que revelaram minha fraqueza: ‘’Isso pode não dar certo, isso tende a não dar certo. Você não está fazendo certo’’.  Caso cada um de nós teríamos certeza de onde estávamos nos metendo, teríamos nos poupado de grandes feitos em nossas vidas, teríamos selecionado melhor as pessoas com quem  iríamos compartilhar amor e confiança, nos pouparíamos de sofrer certas perdas, erros.  Mas nós somos simplesmente tomados pela coragem. Nem tudo lhe traz felicidade, as pessoas podem surpreender, podem mudar.. Mas diante de tudo o que foi vivido, como dizer que não foi certo? Como dizer que o que foi verdadeiro algum dia foi errado? Como dizer que foi errado se por algum instante você sentiu que você perdeu sua razão diante de toda aquela emoção? Como dizer que foi errado, se o seu orgulho foi rompido e substituido por algo melhor?  Quando as coisas devem ser do jeito que elas são, não há argumentos ou motivos para nós tentarmos mudar o que sentimos. Aquilo deveria acontecer.  E cabe a quem dizer que não?  Te encontrar, te conquistar, te fazer sorrir, fazer teu coração bater mais forte. Isso estava pré-destinado.  Eu não escolhi isso, nem você. Como saber que é errado sem nem ter tentado dar certo. E me sinto assim, preenchida pela coragem. A coragem para enfrentar todos os motivos de não dar certo. A coragem que o amor me deu. A coragem que você me deu. A coragem que fez com que o vento parasse, a coragem que fez o calor me acolhesse. O calor do teu amor fez com que tudo aqui parasse de ventar. Não sentia mais dor.